sexta-feira, 19 de abril de 2013

Uma Noite Inesquecível



Ela estava em pé, falava ao telefone.
Ao se aproximar, ele percebeu como ela estava radiante naquela noite.
Seu cabelo estava impecável, um sorriso enfeitava seu rosto.
Ele, encantado, abriu a porta do carro.
Ela entrou, sentou-se e logo olhou para ele.
Que ao se deparar com aquele olhar matador, perdeu um pouco a fala.

Ela estava cheirosa, animada e bem vestida.
Aos poucos ambos foram se soltando.
Ela ia explicando a ele a forma mais fácil de sair do bairro em que mora.
O bobão, não conhecia o local, era a primeira vez dele por aquelas bandas.
Paciente, ela foi explicando passo a passo.
E ele, hipnotizado por aquele olhar, não sabia se dirigia ou olhava para ela.

O perigo iminente o fez olhar para frente, por mais que seu pescoço teimasse em virar para direita. Ela ria, se divertia enquanto conversava com ele.
Estavam indo ao cinema, ver mais um filme de um astro hollywoodiano.
Ao chegar, desceram do carro, caminharam lado a lado, sem dar as mãos.
Ele não sabia se era o certo, pois fazia apenas duas semanas que estava sozinho, após o fim de mais um namoro que o feriu.

Eles chegaram cedo, faltava ainda um bom tempo até o começo do filme.
Andaram, mas ambos não estavam muito concentrados nas vitrines.
Ele, vaidoso, quis se pesar na farmácia, satisfeito com o resultado, esperou que ela fizesse o mesmo. Ao se deparar com os bem distribuídos quilos dela, não resistiu e disse que levantava quase duas dela no supino. Ela olhou, fez carinha de esnobe e logo continuaram a andar.

Ele não estava a fim de jogar o tempo fora.
Sentou-se num simples banco, mas logo se levantou, pegou na mão da moça e de forma cordial esperou que ela se sentasse primeiro.
E ali, de forma simplória, conversaram muito, riram, se paqueraram...
Ele percebeu que o beijo podia acontecer ali, sentiu que a sintonia estava boa.
Mas não precipitou tal acontecimento, por mais que percebesse ela chegando cada vez mais perto.

Ele, que há tempos não sabia o que era sentir-se desejado, estava feliz.
As mãos que não foram dadas no começo, a essa altura já estavam com os dedos entrelaçados. Foram então, em direção às salas do cinema. Sentaram-se para ver o filme, ela olhava muito para ele, que fingia não estar ali. Ao apagar das luzes, ele estava concentrado no filme, ao mesmo tempo em que a percebia inquieta. Sabendo que ela estava ansiosa para que o beijo acontecesse, ele ainda se segurou um pouco.

Até que, depois de refletir e viajar um pouco no filme, ele se aproximou um pouco mais dela, até que o beijo aconteceu. Sem muito jeito, porque a poltrona não ajudava. Ele nunca gostou de ficar de amasso no cinema, então se beijaram mais umas três ou quatro vezes no máximo. Viram o bom filme, riram, trocaram carícias como se já tivessem intimidade. Nada fora do comum, tudo acontecia de forma absurdamente natural. E os dois estavam ali, ambos em paz.

Depois do filme, ele a levou em casa. Parados lá em frente, conversaram ainda mais.
Trocaram mais alguns beijos, nenhum amasso com desejo exacerbado. Tudo acontecia de forma carinhosa, o que não é nada comum em primeiros encontros.
Ela, que havia dito a ele que o achava ilusório, às vezes o olhava com admiração.
Ele, ainda com o coração despedaçado, não conseguia se envolver na situação completamente. Ainda assim, deu uma mordidinha na orelha dela e percebeu como se arrepiou.

Ela, que tem uma tatuagem, disse a ele que não era incomum ser cantada, os caras perguntam se podem morder a fruta que está desenhada em seu ombro. Ele disse a ela que quando se encontrassem pessoalmente não ia pedir, ia fazer. E assim o fez! Depois de mais uns poucos beijos, já era madrugada e no dia seguinte ela ainda tinha estágio. E assim, para ele, a noite foi mais que perfeita. Pois, não gosta de precipitar os acontecimentos. Aconteceu só o que tinha que acontecer.

O que vem depois? Não se sabe!
É o que inevitavelmente irão se perguntar por um bom tempo de suas vidas...

Fim.

Philippe Dutra

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Irreversível Pequenez



Beleza encantadora não é aquela que faz apenas seus olhos brilharem. É aquela que te toca no fundo da alma. Nesses pequenos e raros momentos, percebemos como tudo pode ser maravilhoso. O que nos deixa longe da grandiosidade é a irreversível pequenez humana.

Philippe Dutra

domingo, 14 de abril de 2013

O Valor do Nome






Observo muito as pessoas, pelo fato de ser comediante, preciso disso pra escrever meus textos e piadas. Uma das coisas que vejo me levou a escrever esse texto, e me incomoda muito. O fato de em pleno Século XXI as pessoas ainda darem um valor a uma pessoa, devido a seu nome. Acho esse pensamento muito provinciano. Peguemos o sobrenome “Silva”, todos os “Silva” no Brasil são de mesmo caráter e mesmo valor só por ter esse nome? Meu sobrenome é Ahmar, seguindo a lógica eu deveria ter os mesmos valores e crenças que um muçulmano? Ou sair vendendo quibe na rua? Pra deixar mais claro, imaginem o diálogo:
-Oi, prazer, Victor!
-Prazer, Fulana de Sicrana Beltrana. Você é de que?
-De que? De carne e osso...  E muita gordura.
-Não querido, seu sobrenome.
-Ahmar, por quê?
-Hum... Não conheço... Seu pai é quem? Faz o que?
-Meu pai é o cara que namorava minha mãe, ele faz muita coisa, come, dorme, trabalha, passeia, pensa, vê TV...
-Não querido, estou falando de negócios.
-Ah, ele faz palestras e dá cursos.
-Hum... (sorriso sem graça) ok então.
Imaginando a cena e as respostas bobas, não fica tudo tão abstrato e absurdo a ponto de se dar valor? Usando um pré-conceito, quando se imaginaria que um cara chamado PELÉ conquistaria algo?
O dicionário traz a seguinte definição para “Nome”:
Sm (lat nomen) 1 Palavra com que se designa e distingue qualquer pessoa, animal ou coisa. Uma palavra, pra diferenciar cada um de nós, o nome é isso. O valor, a importância de uma pessoa, se analisa com outra palavra: caráter. Espero que ao ler este texto, sempre que quiser conhecer um pouco alguém, tente uma conversa de uns 20 minutos pelo menos, porque o “nome” é cada um que faz.

Victor Ahmar

Como você já leu no texto, Victor é um comediante. O que não está escrito é que ele tem apenas 17 anos e tem um talento admirável. Sempre antenado a tudo o que acontece, tem piadas fresquinhas, tem espontaneidade, é perspicaz e sagaz. Lamentavelmente tem gente que prefere o chulês, este que vos escreve prefere piadas mais bem elaboradas. E o texto desse jovem mostrou o que tem por trás de toda aquela veia cômica. Parabéns, meu caro!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quero Ser



Quero ser tudo, nesse meio termo não sei o quero ser, me perco em pensamentos sem saber onde vão parar nem de onde começaram, medito para me encontrar e tudo o que encontro são rastros meus que não me levam a lugar algum, eu quero ser algo importante ao mesmo tempo me questiono se isso tem importância, se devo apenas seguir a vida. Deixar rolar não é a opção adequada nesse instante de pensamento, passar a vida sem ser, é o mesmo que dormir sem sonhar, é apenas um ato. Quero me tornar o que nunca fui, ou talvez seja e não consiga me conectar com esse meu ‘eu’. 

São questionamentos, somente isso que me forma, mas eu não quero só isso, eu quero demonstrar aos meus próprios pensamentos que eles se tornaram algo de verdade e não apenas freqüências cerebrais de um ser racional. Qual será a melhor forma de sair dessa prisão, como me libertar de um lugar escuro com quadros de imagens do que quero ser e não do que sou? Queria eu ter outra vida em mim, me tornar outro com as atitudes corretas - um eu perfeito - que soubesse analisar cada sentimento e torná-lo real, de forma que me tornasse mais, não mais que alguém, e sim mais que eu mesmo. Quero ver no mundo físico as formas que minha mente traz. As palavras que ela emite o som que se pode ‘maestrar’, as visões que ela pode gerar. Quero ser.

João Pablo


Pablo é meu vizinho e amigo, jovem, tem engajamento que pessoas de sua idade não têm, possui discernimento, questiona os acontecimentos. Cada minuto de conversa com ele é um crescimento compartilhado. Tem uns anos que somos vizinhos, no entanto, faz pouco tempo que trocamos ideias.
Os nove, dez anos de diferença de idade são irrelevantes, meu amigo é grandioso, assim sendo, não poderia deixar de admirá-lo. Por isso resolvi postar esse texto dele, pois diferente do que vem acontecendo na sociedade atual, ele está mais preocupado em ser, não em ter. Com certeza é relevante e vale a pena ser lido!