quarta-feira, 10 de abril de 2013

Lágrimas que não Secam




 Bom, são exatamente 06 h 32 min desta manhã de quinta-feira, dia 12/08/2010. Depois de rolar por algumas horas na cama, aqui estou novamente. Com meus dedos calejados pela academia. E não pela lida diária no corte de cana. São os contrastes, tão ignorados por maior parte dos seres humanos. Não sei se o título terá algo ligado com o que vai saindo da minha cabeça neste momento.  Depois de alguns meses sem conseguir chorar, ando chorando mais que devia. Ando me alimentando mal e mal me alimentando. Cômico?

Seria se não fosse trágico. Ah, Philippe, você é lindo, inteligente, sincero, íntegro. Onde está o drama então? Está exatamente aí.  Se sou, se tenho mesmo essas qualidades, por que não consigo viver normalmente? Não me acho anormal, nem me sinto como tal. Mas a tristeza insiste em bater à porta do meu coração. E cada batida soa como um golpe de machado. Já chamei a morte várias vezes, mas ela insiste em rir da minha cara. Faz troça, trocadilhos, me ataca com ironias e sarcasmo. E nem ao vê-la de perto, ela se interessou por mim. E olha que já estivemos cara a cara, poucas vezes, mas estivemos. Cansei de ser caçoado!

Tentei viver, gritei sem ser notado, um grito sem som. A dor que aflora em meu olhar. Que não é notado por assim preferir. Ser invisível já ajudou, como também atrapalhou. Pois ninguém vive sozinho. Todos precisam de outro ser. Não para se sentir completo, mas para dividir a imensidão que tem dentro de si. E todos têm uma grandeza inestimável. Pequenos gestos podem significar muito além. Aquela palavra dita na hora certa. Aquele olhar, aquela risada gostosa. Sabe quando vem aquela vontade incontrolável de rir, gargalhar em lugares indevidos? Pois é, sinto muita falta disso.

As imagens distorcidas do caminho ao hospital também aparecem invariavelmente. No dia em que eu quase abracei meu grande amor, a morte. Deus, sim, acredito em ti. Ajude-me a secar essas últimas? Não vou mais implorar para que me leve. Nem chegarei ao ponto mais covarde de dar fim a algo tão divino, a vida. Tá difícil! Preciso encontrar meu castelo de sonhos, pois não guardei as pedras no caminho. E o castelo real está longe de ser edificado. Seguirei tentando, me doando da melhor maneira que posso. 

No meu modo de enxergar a vida, a melhor forma de seguir é amando. A mim mesmo, as pequenas coisas, as amizades que tenho. Sejam elas de onde forem. E esse vazio que sinto, não é falta de outro ser. Preciso de mais de mim mesmo. Sei que quando encontrar meu eixo, o coração irá se abrir. Para me apaixonar, me entregar novamente, me abrir posteriormente ao amor. Que traz percalços, felicidade, dor, alegria. Impulsiona-nos ao crescimento. Por hoje, as lágrimas secaram. Amanhã se voltarem, espero que sejam de felicidade. Mesmo de lampejos em lampejos. Agora vou me deitar e pensar no meu castelo de sonhos mais uma vez...

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